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O Drácula Era um Cristão Ortodoxo? [1]

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O nome do Conde Drácula pode ser familiar para muitos por causa dos filmes e livros, nos quais ele é retratado como um vampiro horrível e sedento de sangue. No entanto, a pessoa real por trás desse personagem fictício pode ter sido realmente dura e controversa, mas provavelmente muito mais humana do que as histórias de ficção nos fazem pensar.

Vlad III Basarab, também conhecido pelo apelido de Drácula em sua vida e Vlad Tepes postumamente, entrou no hall da fama durante seu segundo reinado do Ducado da Valáquia.

Vlad III Drácula


Ele nasceu na Transilvânia, provavelmente em 1429. Ele deixou a Romênia com sua família depois de alguns anos para se estabelecer na Valáquia, onde seu pai, Vlad II, se tornou o Voivoda [N.T.: antigo título Eslavo de chefe militar]. Ele adquiriu o sobrenome Dracul (traduzido do Romeno como "dragão") de seu pai - ele se juntou à Ordem dos Cavaleiros do Dragão com a missão de sustentar e proteger a fé Ortodoxa em sua região em face das invasões Otomanas. Vlad III também se tornou membro da Ordem. Após a morte de seu pai, ele passou pelo nome de Draculea (ou filho do dragão, em Romeno), e mais tarde como Drácula.

A vida de Vlad III foi tudo menos fácil. Antes de se tornar governante da Valáquia, ele passou sua infância e juventude como refém na corte do Sultão Otomano Murad II, junto com seu irmão mais novo, Radu. Eles aprenderam ciências seculares e foram criados como guerreiros implacáveis. Seu irmão mais novo cedeu à pressão e se converteu ao Islã, enquanto Vlad se tornou ainda mais determinado a resistir aos Turcos após seu retorno do cativeiro.

Enquanto seus filhos eram mantidos como reféns no Império Otomano, o pai trabalhava muito para manter o trono. No entanto, os boiardos locais o derrubaram em 1447 e assassinaram-no junto com seu filho Mirca, meio-irmão de Vlad, em meio à selva úmida da atual Romênia. Logo depois, Vlad III montou uma campanha pelo seu retorno à Valáquia. Ele conseguiu assumir o trono em 1448, enquanto o então governante da Valáquia, Vladislav II, estava no exterior. Dois meses depois, no entanto, Vladislav voltou e recuperou seu trono, e Vlad foi forçado ao exílio por oito anos. Os registros históricos disponíveis sugerem que ele fugiu para o rei da Hungria, um inimigo dos Otomanos e oponente de Vladislav II.

Acredita-se que ao aliar-se ao rei, Vlad III foi capaz de retornar à Valáquia como seu Voivode em 1456. A fim de consolidar seu poder, sua primeira prioridade era lidar com a rivalidade em curso entre as diferentes facções dos boiardos da Valáquia. Também se presume que ele já tivesse descoberto naquela época qual dos boiardos foi o responsável pela morte de seu pai e meio-irmão. Ele os convidou para um banquete e os empalou. Este episódio horrível ficou para a história como a execução Pascal.

Ele sujeitou ao mesmo destino os guerreiros Muçulmanos que fez prisioneiros nas batalhas épicas com o Império Otomano em 1456, quando a Sérvia e a Bulgária já haviam se rendido, assim como Constantinopla, e os ducados Romenos eram os próximos da fila. O encontro com o calculista Conde Drácula retardou o progresso dos Otomanos. A vitória de Vlad foi celebrada em toda a Europa. Aos olhos da maioria dos civis, Drácula era um governante severo, mas justo, que nunca temeu defender a liberdade de sua terra natal e a proteção da fé Ortodoxa, e tratou o inimigo tão impiedosamente como trataria os habitantes locais, por tê-los empalado. Essa reputação horrível de ser implacável com os inimigos e traidores deu a ele o apelido de Tepes ou Empalador em Romeno.

Ao longo de seu segundo reinado, Vlad III se envolveu extensivamente em atividades de caridade e trabalho em benefício da Igreja Ortodoxa. Em 1456-1461, ele doou extensivamente para o sustento dos mosteiros Ortodoxos da Valáquia, Romênia e Grécia (incluindo o mosteiro no Monte Athos). Ele construiu uma igreja em Târgșoru e estabeleceu o Mosteiro Comana perto da cidade de Giurgiu. Drácula tinha boas relações com o Metropolita Macário, o Bispo da Igreja da Valáquia que apoiou Drácula em sua guerra contra os Turcos. Eventualmente, esse apoio custou-lhe seu Episcopado, quando Drácula foi sucedido por seu irmão Radu III, o Belo, um aliado do Império Otomano.

Radu, o Belo


A mudança de governo aconteceu em 1462, quando a Valáquia foi novamente invadida pelos Turcos. Traído por seus aliados próximos, Vlad III não conseguiu resistir fortemente aMaomé II, seu adversário formidável. Como resultado, ele foi forçado a fugir para a Hungria. Enquanto estava no exílio, ele foi preso por 12 anos, acusado de manter correspondência secreta com o Sultão da Turquia. A evidência na qual essa acusação foi baseada é agora considerada falsa pela maioria dos historiadores da atualidade. Ele foi libertado do cativeiro com a condição de se converter ao Catolicismo e se casar com a irmã do rei Húngaro. Existem diferentes explicações sobre o motivo pelo qual um firme defensor da Ortodoxia concordou em aceitar esses termos. Alguns acreditam que Drácula não teve outra escolha se quisesse continuar sua luta contra o Império Otomano, considerado o principal inimigo do Cristianismo na época. Outros vêem isso como um movimento puramente oportunista. Seja qual for o caso, Vlad III recuperou a liberdade, casou-se e teve dois filhos.

O irmão de Vlad Drácula, Radu, morreu em 1476. Com o apoio dos boiardos locais e do Voivode da Moldávia Estevão III, o Grande (mais tarde canonizado como Santo), Drácula assumiu o trono de sua Valáquia natal pela terceira vez.

Vlad III Drácula e Estevão III, o Grande. Ilustração de realdracula.com


No entanto, seu terceiro reinado foi de curta duração. Vlad morreu menos de um ano depois em uma batalha com os Turcos e foi sepultado em uma igreja monástica em Snagov.

De acordo com alguns historiadores, os episódios horríveis da biografia de Vlad Tepes podem ser pelo menos parcialmente verdadeiros, já que muitos são mencionados nas crônicas. Outros acreditam que esses relatos são baseados em evidências falsas e fabricadas. Seja qual for o caso, não há absolutamente nenhuma evidência histórica para apoiar as acusações de vampirismo de Vlad. É bastante óbvio, portanto, que Bram Stoker, que pintou a imagem horrível de Drácula em seu romance, foi inspirado pela lenda em torno de seu nome e tinha pouco em comum com a verdade histórica.

Um dos muitos monumentos ao Vlad III Tepes na Romania



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