Lidando com o Coronavírus: A Literatura Russa tem as Respostas [1]
"Nestes tempos incomuns de crise e incerteza, nós recomendamos voltar para os clássicos para conforto e iluminação"
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Retrato de Natália Petrunkevich (1892) Nikolai Nikolaevich Ge
Como todos os Russófilos sabem, a literatura Russa tem uma resposta para tudo [2].
É um pensamento profundamente reconfortante que nós queremos compartilhar com o mundo. Assim, nestes tempos incomuns de crise e incerteza, nós recomendamos voltar para os clássicos para conforto e iluminação.
É claro, nem todos interpretam a realidade da mesma maneira. Todos buscamos resolver diferentes problemas. Com isto em mente, aqui vão 17 recomendações de como a literatura Russa pode ir ao teu encontro onde quer que você esteja. Esperamos tirar você de toda essa loucura, ao menos por um tempo...
Se você se sente assim:
Estamos sob ataque, no meio de uma profunda crise existencial que exigirá os esforços ilimitados de todas as pessoas a fim de ser combatida.
Tente ler isso:
Guerra e Paz [3],por Lev Tolstói
Há algo de surreal, algo até mesmo absurdo nestes tempos. É como se uma batalha entre o Bem e o Mal estivesse sendo travada por meio de cada um de nós, todavia, de uma forma muito curiosa. Estou esperando por um convite para um baile supernatural a qualquer momento.
O Mestre e a Margarida [4], por Mikhail Bulgakov
Estes são tempos negros, contudo, eu preciso acender a chama da esperança para o futuro. Nós vamos conseguir passar por isso, contanto que nos mantenhamos unidos em amor e em comunidade.
Para Dentro do Redemoinho [5], por Evgenia Ginzburg
Eu tenho caminhões de nostalgia pelo jeito que as coisas eram e eu não quero encarar este futuro que vejo se desenrolar diante de nós. Não podemos simplesmente continuar do jeito que sempre foi?
O Jardim das Cerejeiras [6], por Anton Chekhov
Se há algo que pode vir de bom deste distanciamento social, é o desmantelamento das falsidades e da vã aparência das convenções sociais. Todos temos que batalhar contra nosso orgulho e egoísmo e não sermos tão egocêntricos.
Eugênio Oneguin [7], por Alexander Pushkin
Humor, eu preciso de humor nestes tempos negros. Que tal uma jornada com um toque de Quixote, cheia de críticas afiadas contra a sociedade e a corrupção? Ah, e os personagens devem ser excêntricos, mas verossímeis.
O Bezerro de Ouro [8], por Ilf e Petrov
Creio que a vida é um tanto negra, opressiva e sem sentido. A melhor forma de lidar com isso é se preparar contra a adversidade e viver uma vida organizada. Ou, talvez, podemos tirar beleza da feiura escapando para o campo e criando uma existência menos complicada. Ou, ainda melhor, talvez somente não devêssemos mais ser governados pelas banalidades, mas pelo amor humano e pela compaixão.
A Pequena Trilogia [9] (“O Homem no Caso,” “Groselhas,” e “Sobre o Amor”), por Anton Chekhov
Estou assombrado pelas pessoas que podemos perder, pelos futuros que serão arruinados, pelas famílias destruídas, tudo por este pequeno vírus.
A Casa na Margem do Rio [10], por Yuri Trifonov
Precisamos resistir. Sobrevivência é nossa maior preocupação. As chances estão contra nós, mas com a atitude certa e uma pesada dose de resiliência e sorte, podemos conseguir.
Um Dia na Vida de Ivan Denisovich [11], por Aleksandr Soljenítsin
Aquilo pelo que estamos passando agora é apenas um simulacro (uma impostura, se preferir) de algo muito mais terrível. Estaríamos nos enganando se pensássemos que o "perigo real" já está presente.
O Inspetor Geral [12], por Nikolai Gogol
Estou particularmente preocupado com aqueles que estão tentando lucrar com essa pandemia global às custas dos outros. Tais pessoas representam uma decadência moral de nossa sociedade e devem ser expostas como símbolos do ridículo.
Almas Mortas [13], por Nikolai Gogol
Eu preciso de um refúgio. Eu somente quero escapar de nossa vida super atarefada e excessivamente complicada para uma mais simples. Que tal a vida rural da Rússia no séc. XIX? Claro, ela estava longe da perfeição, mas ao menos era real.
A Caderneta do Esportista [14], por Ivan Turgenev
Claro, um refúgio é uma boa ideia, mas eu não quero ir além do que a primeira metade do séc. XX. Eu quero mergulhar em histórias de amor e paixão. Existe algo assim na literatura Russa, como uma coleção de novelas ou histórias devotadas completamente ao amor em suas muitas formas?
Avenidas Negras [15], por Ivan Bunin
Sou um tanto idealista e sinto que todos podemos fazer um pouco melhor do que as vidas medianas que nós aceitamos. Me chame de louco, mas penso que nossas vaidades sociais e consumismo são hipócritas e míopes, quando o mundo precisa tão mais de nós.
O Lamento da Mente [16], por Alexander Griboyedov
Eu preciso de uma boa literatura distópica para me lembrar que as coisas podem ser bem pior... bem pior. Contudo, tem que ser muito bem escrita.

O Lince [17], por Tatyana Tolstaya
O ritmo e a dimensão das mudanças ao nosso redor são simplesmente assustadoras... Algumas vezes até mesmo debilitantes. Acrescente na lista uma cultura que é materialística, egocêntrica, gananciosa e manipuladora, e eu sinto como se realmente precisássemos de um anti-herói: alguém que seja compassivo e altruísta, ponderado e deliberado, em suma, uma boa pessoa.

O Idiota [18], por Fiódor Dostoyevsky