BISPO GREGO: Patriarcado de Constantinopla Mostrou Desrespeito por 13 Milhões de Crentes Ortodoxos Russos na Ucrânia [1]
“Dizer a verdade como você a sente não é um passo contra o Patriarcado Ecumênico. Se você ama alguém, diga a ele em que acredita... nós nunca tomaremos quaisquer medidas que possam prejudicar deliberadamente o Patriarcado Ecumênico, mas não ficaremos calados se algo estiver errado em nossa visão"
Image alignment
Em sua entrevista para a agência de notícias Grega Romfea, o Metropolita Isaías de Tamassos e Oreini, hierarca da Igreja do Chipre, enfatizou que, ao reconhecer os cismáticos na Ucrânia, o Patriarcado de Constantinopla mostrou desrespeito aos direitos religiosos de 13 milhões de crentes da Igreja Ortodoxa Ucraniana que não querem cortar relações com a Igreja Russa.
O hierarca destacou que certos processos geopolíticos tiveram seu impacto na situação atual do mundo Ortodoxo e disse que quando se trata da questão eclesiástica Ucraniana é um erro confundir “a história e teologia da Igreja Ortodoxa com a política externa dos estados”. Como advertiu o arquipastor, a situação atual pode levar a consequências trágicas para a unidade Ortodoxa. O Metropolita Isaías expressou sua sincera convicção de que a divisão não é a meta perseguida pelo Patriarcado Ecumênico que, em sua opinião, ficou associado “a pessoas que têm outros interesses”.
A primazia de Constantinopla é a primazia do serviço, não do poder, lembrou o hierarca. Como ele observou na entrevista, o primus “não governa outras Igrejas, mas as serve desempenhando um papel coordenador e inquestionavelmente histórico e teológico dado a ele pela Ortodoxia”.
“O que ouvimos sobre o ‘primeiro sem iguais’ nos preocupa, e eu gostaria que fossem meros estudos acadêmicos mal interpretados do ponto de vista teológico, em vez de convicção no poder de alguém”, disse o Metropolita Isaías.
“Dizer a verdade como você a sente não é um passo contra o Patriarcado Ecumênico. Se você ama alguém, diga a ele em que acredita”, acrescentou o hierarca, enfatizando que para ele “o Patriarcado Ecumênico é o berço da... civilização bizantina,... uma das instituições mais sagradas da Ortodoxia, a arca da teologia e Cultura bizantina”. Por esta razão, ele continuou, “nunca tomaremos quaisquer medidas que possam prejudicar deliberadamente o Patriarcado Ecumênico, mas não ficaremos calados se algo estiver errado em nossa visão”.
A situação que surgiu na Ortodoxia mundial por causa da questão Ucraniana é “uma provação pela qual viveremos, uma oportunidade de avivamento espiritual, tanto institucional quanto pessoal”, disse também o Metropolita Isaías: “Deus nos ajudará se nos ajudarmos primeiro".
“Com um aperto no peito e alarme, apresento nesta entrevista a voz da minha consciência como hierarca e me recomendo ao julgamento de Deus e da história”, acrescentou o arquipastor.