6 de Novembro - Reflexões Diárias de São Teófano, Um dos Escritores Favoritos da Rússia do Século XIX

"Embora a fé seja verdadeiramente um dom de Deus, os não-crentes não são de modo algum inocentes: eles se afastaram deliberadamente deste dom. O Senhor nunca enviaria o Seu precioso dom da fé, a menos que houvesse um lugar na alma para o reter: fazê-lo significaria desperdiçá-lo.. . ."

Nota do Editor: São Teófano o Recluso (1815-1894) foi um dos mais prolíficos e amados escritores espirituais da Rússia do séc. XIX. Suas obras compreendem mais de vinte volumes. Embora tenha vivido os últimos vinte e oito anos de sua vida como eremita, seu impacto sobre sua pátria foi imenso. Seus artigos apareceram nas revistas espirituais populares de seu tempo, seus livros eram muito requisitados e ele respondia pessoalmente a uma média de trinta cartas por dia. Vamos publicar trechos do livro Reflexões Para Cada Dia do Ano (Amazon). Nele, São Teófano nos leva através do ciclo anual de leituras do Evangelho e da Epístola, humildemente e reverentemente oferecendo-nos breves mas poderosas meditações diárias sobre a palavra de Deus. Ele também aborda os problemas de sua época: falta de fé, frieza de coração, confiança na mente racional e não na Verdade de Deus revelada - que são problemas de nossos dias também.


Sexta, 20º Semana após Pentecostes
Epístola: 2 Coríntios 1:8-11
Evangelho: São Lucas 7:2-10

A Graça da Fé

O centurião que veio ter com Jesus ─ que homem maravilhoso ele é!  Como pôde ele desenvolver a sua grande fé que excedeu a dos Israelitas [Lucas 7,9], que tinham sido criados sobre revelação divina, profecias, e milagres? O Evangelho não diz como. Simplesmente descreve a sua fé e os louvores que recebeu do Senhor.

Na alma humana, a fé tem o seu próprio curso secreto. Quem pode traçar com certeza até mesmo o curso da sua própria fé, como ela cresceu no seu coração? São Paulo fala disso melhor do que ninguém: "Isso não vem de vós: é dom de Deus" [Efésios 2:8]. E embora a fé seja verdadeiramente um dom de Deus, os não-crentes não são de modo algum inocentes: eles se afastaram deliberadamente deste dom. O Senhor nunca enviaria o Seu precioso dom da fé, a menos que houvesse um lugar na alma para o reter: fazê-lo significaria desperdiçá-lo.

É difícil definir as condições exatas para receber a dádiva da fé. O centurião era um homem de autoridade, virtude e razão forte ─ mas também havia nele uma humildade extrema claramente visível. Não é a humildade em geral, pela qual temos a oportunidade de receber esta grande graça geradora de fé da parte do Senhor? É bem possível que sim. De qualquer modo, não é segredo que os descrentes são tipicamente orgulhosos, e que a fé exige da mente, antes de mais nada, a submissão completa à sua autoridade.


Fonte: gorthodox.com (Inglês)

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