Para o Veterano de 100 Anos da Segunda Guerra Mundial e Sua Noiva, Foi Tudo o Destino

Naquela manhã de domingo, há mais de setenta anos, na Igreja Ortodoxa da Santa Ressurreição, ele não sabia que havia uma linda garota na galeria do coro olhando para ele. Ela sussurrou para as amigas que ia se casar com aquele jovem soldado...

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Walter Nogulich, que fez 100 anos este mês, foi chamado de “Wiffy” [N.T.: Como uma lufada de vento] por seus amigos em Chicago porque ele era um jogador muito rápido na vizinhança.

Mas após a invasão da Normandia, lutando pelo norte da França na Bélgica, Alemanha e no que era então a Tchecoslováquia, eles não o chamavam mais de "Wiffy".

Segurando uma foto de si mesmo em seu uniforme quando tinha cerca de 22 anos, o veterano do Exército da Segunda Guerra Mundial Walter Nogulich está sentado em sua casa no Dia dos Veteranos, 11 de novembro de 2020, em Niles. Nogulich, que fez 100 anos em 6 de novembro, fez parte da invasão da Normandia em 1944. (Erin Hooley / Chicago Tribune)

Eles o chamavam de Sargento.

Nogulich voltou da guerra em um sábado. E no domingo ele foi à igreja, a velha Igreja Ortodoxa Sérvia da Santa Ressurreição que ficava em Wicker Park. Ele queria agradecer a Deus por sua vida e orar pelos camaradas que ele perdeu na guerra.

O veterano do Exército dos EUA na Segunda Guerra Mundial, Walter Nogulich, é retratado em seu uniforme em uma foto em sua casa em Niles no Dia dos Veteranos, 11 de novembro de 2020. (Erin Hooley / Chicago Tribune)

Ele não sabia que havia uma linda garota na galeria do coral, olhando para ele. Seu nome era Helen. Seu pai, ganhador da Medalha de Honra, foi um grande herói na comunidade Sérvia. Na galeria do coro, segundo a história da família, Helen Mandusich sussurrou para as amigas que ia se casar com aquele jovem soldado.

“Mas ela não conseguia nem ver meu rosto”, disse Nogulich no Dia dos Veteranos. “E ela queria se casar comigo. Ela estava no coro e tudo que ela podia ver eram minhas costas. Mas nós nos conhecíamos. Então, depois da igreja, no café, estava conversando com ela e a pensar: ‘Oh, meu Deus’. Estou falando com ela. Eu a convidei para sair".

A palavra para isto em Sérvio, segundo me disseram, é sudbina: Destino.

Eles foram casados ​​por 73 anos. Eles tiveram três filhos. Ela morreu há alguns meses.

“Tive muita sorte em tudo”, disse-me Nogulich. “Eu vivi a guerra. Helen se casou comigo. Tínhamos uma família. Tivemos um ótimo casamento. Nós realmente não tínhamos discussões. Oh, uma vez nós discutimos. Ela disse que não me faria café da manhã. Na manhã seguinte, ela disse: ‘Quantos ovos?’”.

A filha de Walter Nogulich, Natalija Nogulich, penteia seus cabelos no Dia dos Veteranos, 11 de novembro de 2020, em sua casa em Niles. (Erin Hooley / Chicago Tribune)

Nogulich riu enquanto conversávamos no Zoom. Sua filha e cuidadora, Natalija Nogulich, a atriz de teatro que esteve na Broadway e em muitos filmes e programas de TV, de "Star Trek" a "The West Wing", estava ao seu lado.

Na parede havia a Estrela de Bronze, o Coração Púrpura, a citação presidencial e outras medalhas. Na cabeça, ele usava seu boné da 90ª Divisão de Infantaria, com as letras vermelhas T&O, que representam Texas e Oklahoma. O General George S. Patton deu a eles o apelido de "Ombres Fortes" pela forma como lutaram.

Ele usava o mesmo chapéu há poucos dias quando votou, pessoalmente, em sua seção eleitoral em Niles. Ele usava andador, sim, mas apareceu de boné, olhos claros, pronto para votar e de pé, os mesmos pés que o carregaram pela Europa, os mesmos pés que o carregaram por Chicago nas décadas que passou como um carteiro.

Eu perguntei a ele: O que você quer que os Americanos saibam sobre o Dia dos Veteranos?

“Eu penso nos caras com quem eu estive, meus amigos, meus irmãos. Ainda me lembro deles”, disse Nogulich. “Às vezes sonho com eles, seus rostos e coisas sobre a guerra. Se você esteve no serviço, mas não em combate, não sei se você pensa assim. Mas se você esteve em combate, passando pelo que passamos, eles são irmãos. Esses caras são irmãos. E eu penso sobre eles”.

Não houve tempo para pensar em nada quando a 90ª Divisão de Infantaria atingiu Utah Beach, navegando sobre a água, carregando mochilas pesadas e correndo para a terra.

“Você não pensa em nada. Nada”, disse ele. "Você apenas continua indo".

Para os Ombres Fortes, a situação piorou à medida que avançavam ao longo do norte da França e entrando na região mortal de sebes, as densas colinas florestadas separando os campos dos fazendeiros que poderiam proteger tanques e soldados Alemães. Havia aquele teimoso atirador demetralhadora Alemão em uma casa de fazenda. Lá estava a fazenda onde os Alemães em fuga deixaram queijo e, melhor ainda, meias secas. E mais tarde eles perseguiram um oficial da SS que cometeu suicídio em vez de ser capturado.

“Um Russo agarrou a arma do oficial, mas eu a peguei do Russo”. Eles se encararam um pouco. Em seguida, foram beber juntos. “Fizemos uma festa”.

Um dos amigos de Nogulich foi atingido por uma bala de franco-atirador no estômago. O jovem soldado morreu nos braços de Nogulich.

“Ele ficou me perguntando se ficaria bem, e eu disse: ‘Sim, você vai ficar bem. Aguente firme'. Ele ficava me perguntando e me perguntando. Colocamos um pouco de algodão ou algo lá dentro. ‘Você vai ficar bem’”.

Sua voz sumiu. Eu poderia dizer que ele estava assistindo tudo de novo.

Quando Nogulich foi ferido, atingido por estilhaços, o médico, que era de Chicago, perguntou a ele: "Você conhece Helen, a filha de Mandusich?". Eu disse que todos conheciam Mandusich, mas eu não conhecia Helen. Essa foi a garota com quem me casei. Não é alguma coisa?".

O veterano do Exército da Segunda Guerra Mundial, Walter Nogulich, é retratado com sua falecida esposa, Helen. (Erin Hooley / Chicago Tribune)

Um Coronel lhe disse que poderia ficar na Inglaterra, treinando outros jovens soldados. Não, disse Nogulich. Ele queria voltar para seus amigos.

Após que ele se curou, entretanto, ele recebeu alguns dias de licença. Ele ganhou 400 dólares no hospital jogando dados. Ele estava indo para Londres, apesar dos avisos sobre as bombas zumbidoras.

Quando o combate terminou, seu Capitão ofereceu mantê-lo no posto de primeiro sargento se ele permanecesse durante a ocupação.

“Acho que não, Capitão”, Nogulich se lembra de ter dito. “Eu estou farto de guerra. Eu quero voltar para casa para minha família”.

Ele fez uma pausa.

“Aepnas pense nisso”, disse ele. “Se eu tivesse ficado, não teria ido para a igreja naquele domingo e conhecido a Helen. Ela era meu amor”.

Sudbina. Destino.

O veterano do Exército da Segunda Guerra Mundial Walter Nogulich, embaixo à esquerda, é retratado com sua falecida esposa, Helen, e seus filhos Natalija Nogulich, do canto superior esquerdo, Christ Nogulich e Daniella Gomez. (Foto de familia)

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