A Gravidade do Mundo
Parece que a humanidade, junto com grande parte da Igreja, perdeu seu rumo. Parece haver dois campos se formando nestes tempos modernos e caóticos, para os quais uma falsa dicotomia está sendo formada. Essa falsa dicotomia está criando confusão em massa sobre o que é a vida, especialmente para os Cristãos.
Quando o Santo Apóstolo Paulo disse que Ele é “todas as coisas para todos”, ele estava descrevendo a própria essência do Evangelho. Ele estava expressando o fato de que o Evangelho não é sobre a conversão de pessoas a um paradigma e estilo de vida religioso antigos, mas a uma realidade mística que é tanto esotérica quanto existencial, “na terra como no céu”, como Cristo diz.
~ A Falsa Dicotomia
Os dois campos em formação não estão atingindo essa nota de conversão. O lado mais tradicional prega um Evangelho que é centrado na religiosidade... retificando e garantindo que a adoração, a política, os negócios, etc. estão todos de acordo com essa retidão. Eles pensam que estão aderindo à teologia de "aplicar Cristo a todas as coisas".
O outro lado, mais liberal, prega um Evangelho que é centrado em não aplicar princípios morais e espirituais a "todas as coisas", mas fundir sua moralidade e espiritualidade "com todas as coisas". Portanto, existe um problema com “todas as coisas”.
A própria razão pela qual Paulo diz que Ele é “todas as coisas” é porque, sim, todas as coisas importam. Entretanto, não se pode tirar proveita de todas as coisas. Em outras palavras, não se trata de aplicar nossa filosofia ou teologia a todas as coisas, mas de literalmente adotar todas as coisas como um "sistema" completo, como uma visão de mundo completa. Como Cristo nos ensinou, devemos fazer uma distinção entre “mundanismo”, e o que seja apenas o “mundo”, e como não devemos fazer parte “deste mundo”, segundo ele diz. Como o próprio irmão de Cristo, o Apóstolo Tiago, diz: “Vós, adúlteros e adúlteras, não sabeis que a amizade com o mundo significa inimizade contra Deus? Portanto, quem escolhe ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus”.
Portanto, "arrepender-se" de nossos pecados não é simplesmente uma questão de conflito moral, mas é um conflito de cosmovisão. Há um mundo que está perecendo e há um mundo que NÃO está perecendo. O mundo que não perece é o que precisamos abraçar. Como isso é feito? Certamente não devemos nos matar. A razão pela qual nos matar não é uma opção é porque a comunidade que não perece (Igreja) deve liderar pelo exemplo PARA A eternidade. Somos um modelo da cidade eterna, como nos ensina o Apóstolo São Paulo. Ele diz que temos uma cidade que é “temporária” e que devemos esperar que esta cidade se torne eterna. Ele chama de "a cidade por vir".
Quando nos convertemos, entregamos o nosso coração e, sim, a nossa mente, como diz São Paulo, a este modelo de comunidade, a esta “cidade futura”, como afirma. O Apóstolo São Pedro nos encoraja afirmando que somos “uma nação sagrada”, “um povo eleito”. É disso que nos tornamos parte quando nos convertemos e quando crescemos em nossa teósis com Cristo. Tornamo-nos parte deste povo de Deus, como nos ensinam tão bem os Ortodoxos Russos.
Esta tensão de estarmos “no mundo mas não sermos do mundo”, como diz Cristo, é uma parte muito séria da nossa salvação e se tornou um ponto de dissensão para os Cristãos nestes “últimos dias”. O motivo é elementar: como mencionei no início deste artigo, há uma dicotomia sendo construída dentro da Ortodoxia e de muitas outras religiões hoje. Essa dicotomia está sendo alimentada por ideologias simplórias que são fáceis de entender pelo homem moderno. Conceitos de raça, justiça política e conceitos ainda mais simplificados, muitas vezes extraídos de filmes de Hollywood.
Nossa moral não está em jogo, como a Igreja Católica Romana tem ensinado por tanto tempo. O que está em jogo é a nossa sobrevivência. Simplesmente não há razão para viver esta vida sem amar nosso próximo como a própria imagem de Cristo. Esse amor tem, de fato, padrões isolados de moralidade, mas o mais importante é que ele tem padrões absolutos de eternidade. À medida que nos convertermos, não estamos nos convertendo em uma comunidade perfeitamente adequada que durará na terra, mas uma que durará na terra ATÉ o céu. Nem a crença liberal política nem a conservadora conterão esse movimento eterno. Ambas são filosofias moralistas que sempre acabam na fossa política. Portanto, isso levanta a questão: qual comunidade perfeitamente adequada resistirá ao teste do eschaton, o teste do tempo? A resposta, é claro, é a comunidade Apostólica da Igreja de Cristo.
Contudo, a Igreja não é infalível como Roma proclama. A Igreja, como Cristo e os pais nos ensinam, passará por muitas apostasias, deixando vestígios ao longo dos tempos. Sim, o valor eterno, a essência da Igreja é infalível, como diz São Pedro. As "portas do inferno não prevalecerão". Todavia, como podemos ver no Apocalipse de São João, muitas paróquias estão realmente fadadas ao inferno.
É pelo remanescente da Igreja que somos salvos, porque ela é a comunidade contínua de todos os tempos. Ela é a comunidade que nada rio acima e corta contra a corrente. Ela sempre foi e sempre será, até a volta de Cristo. Ela estará sempre unida de maneira fraternal, porque é isso que significa amar a imagem de Cristo (nosso próximo). Amar o próximo significa construir uma comunidade Cristã, começando pela chamada “família nuclear” e articulando esse modelo na natureza e por meio da Igreja. Historicamente, são pessoas que vivem entre si em catacumbas e depois em aldeias e nações. Neste tempo pós-imperial, sem um imperador Ortodoxo, a Igreja foi muito dispersa, tornando-se vitimada pelas formas modernas de política ecumenista. Precisamos nos afastar dessa armadilha política, como muitos de nossos santos nos ensinam, e voltar à nossa crença no Povo de Deus que se opõe à comunidade mundial, como Cristo ordena. Por menores que sejam as nossas famílias nucleares, elas são curadas e fortalecidas dentro da família de Cristo, formando a Santa Nação da qual São Pedro nos falou.
As seguranças do mundo devem desaparecer. Isso requer afastar-se de seu âmago, do qual tanto os liberais quanto os conservadores não querem que você saia. Querem nossas mentes e nossas almas porque nos vêem nestes últimos dias "sem partido", fora de um movimento ao qual estamos tão acostumados. Eles são sanguessugas para a Igreja. Eles nos usam para apaziguar suas consciências, mas se recusam a formar um relacionamento Ortodoxo conosco. Estamos muito vulneráveis nestes tempos, irmãos e irmãs!
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